{"id":157,"date":"2015-04-01T02:31:32","date_gmt":"2015-04-01T02:31:32","guid":{"rendered":"http:\/\/benabraham.org\/en\/?page_id=157"},"modified":"2016-07-24T17:16:34","modified_gmt":"2016-07-24T17:16:34","slug":"deportacao-perda-esconderijo","status":"publish","type":"page","link":"http:\/\/benabraham.org\/pt-br\/miriam-nekrycz\/deportacao-perda-esconderijo\/","title":{"rendered":"Miriam Nekrycz &#8211; Deporta\u00e7\u00e3o, Perda e Esconderijo"},"content":{"rendered":"<p>No final do outono, chegaram rumores sobre como os judeus em outras cidades tinham recebido ordens para juntar seus pertences e deixar suas casas. Muitos deles simplesmente tinham sido reunidos na pra\u00e7a do mercado e executados pelos alem\u00e3es.<\/p>\n<figure id=\"attachment_470\" aria-describedby=\"caption-attachment-470\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a title=\"Deportation of Jews\" href=\"http:\/\/benabraham.org\/pt-br\/?p=472\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-470\" src=\"http:\/\/benabraham.org\/pt-br\/directory\/uploads\/2015\/04\/deportation-300x208.jpg\" alt=\"deportation\" width=\"350\" height=\"243\" srcset=\"http:\/\/benabraham.org\/en\/directory\/uploads\/2015\/04\/deportation-300x208.jpg 300w, http:\/\/benabraham.org\/en\/directory\/uploads\/2015\/04\/deportation.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-470\" class=\"wp-caption-text\">Deporta\u00e7\u00e3o de Judeus. (Giz de cera).<\/figcaption><\/figure>\n<p>Uma noite, Miriam e sua fam\u00edlia\u00a0acordaram com pessoas gritando e batendo na porta. Eram os nazistas, que ordenaram que sa\u00edssem da casa em 20 minutos, levando somente o que pudessem carregar. A casa foi lacrada e eles foram proibidos de voltar para l\u00e1.<\/p>\n<p>Nas ruas, centenas de fam\u00edlias andavam na neve, sem saber para onde seriam levadas. A m\u00e3e de Miriam criou coragem e n\u00e3o foi para onde os nazistas os mandavam ir; em vez disso, levou as crian\u00e7as para a dire\u00e7\u00e3o oposta, rumo \u00e0 esta\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria. Continuaram a andar ao longo da via f\u00e9rrea at\u00e9 que chegaram \u00e0 casa de uma mulher polonesa que havia sido empregada de tia Ana. O nome dela era Bolka.<\/p>\n<p>Bolka os recebeu muito bem, e eles puderam passar algumas horas escondidos em um quartinho nos fundos da casa. Daquele quarto, conseguiam ouvir os amigos do marido de Bolka queixando-se do fato de que os alem\u00e3es tinham lacrado as casas das fam\u00edlias judias deportadas, o que impedia que eles pudessem apoderar-se de seus pertences.<\/p>\n<p>Bolka cozinhou para eles e seu marido lhes disse que todos os judeus de Luck tinham sido confinados no velho distrito da cidade, onde ficavam a Grande Sinagoga, a Igreja Cat\u00f3lica e a\u00a0antiga fortaleza da cidade. Parecia que eles n\u00e3o tinham outra escolha a n\u00e3o ser seguirem as ordens. Assim, deixaram a casa de Bolka e encontraram uma casa vazia para passar a noite. Na manh\u00e3 seguinte, foram-se para o gueto.<\/p>\n<p>Quando entraram no gueto, foram para a casa de um parente, que estava cheia de gente. Eles n\u00e3o tinham comida, nem madeira, e a pouca \u00e1gua que tinham ficava congelada dentro do balde. As pessoas que n\u00e3o tinham lugar para morar dentro do gueto estavam vivendo na Grande Sinagoga.<\/p>\n<p>Passados alguns dias, a m\u00e3e de Miriam come\u00e7ou a prepar\u00e1-la para um plano de escapar do gueto, o que aconteceu logo. Um de seus tios, que vivia em uma cidadezinha cerca de 17 quil\u00f4metros de Luck, conseguiu enviar alguns camponeses para o gueto, os quais tiraram Miriam de l\u00e1, escondida em uma carro\u00e7a. Aparentemente tiveram acesso ao gueto entrando para a Igreja Cat\u00f3lica. Poucos dias depois, sua m\u00e3e, irm\u00e3 e irm\u00e3os tamb\u00e9m foram tirados do gueto e todos foram viver em Kopacz\u00f3wka, com os av\u00f3s. Os alem\u00e3es ainda n\u00e3o haviam ocupado aquela cidade, de modo que a popula\u00e7\u00e3o judaica ainda podia ter uma vida relativamente normal.<\/p>\n<p>Mas essa situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o durou muito tempo: logo os nazistas chegaram e os decretos come\u00e7aram. A primeira medida foi levar todos os homens judeus para o trabalho for\u00e7ado. O tio de Miriam foi levado para demolir a sinagoga, a qual tinha sido constru\u00edda por sua fam\u00edlia anos antes, e morreu em consequ\u00eancia de um acidente durante o trabalho de demoli\u00e7\u00e3o. O av\u00f4 de Miriam tamb\u00e9m faleceu pouco tempo depois, e novamente eram somente mulheres e crian\u00e7as na casa: a av\u00f3, a tia com seus dois filhos, a m\u00e3e e seus quatro filhos.<\/p>\n<p>Um dia, dois oficiais da SS decidiram expuls\u00e1-los da casa, para que pudessem ocup\u00e1-la. As tr\u00eas mulheres e sete crian\u00e7as tiveram que encontrar uma casa pobre e pequena para morar. Algum tempo depois, os oficiais que os haviam expulsado de sua casa, aparentemente sem raz\u00e3o alguma, foram at\u00e9 sua nova \u201ccasa\u201d e espancaram tia Sosia; ela quase morreu devido aos ferimentos.<\/p>\n<p>Quando a primavera chegou, sua m\u00e3e ouviu dizer a respeito de uma fazenda na aldeia vizinha de Bryszcze, onde um Volksdeutsche estava aceitando judeus para trabalhar. Um dos parentes deles era respons\u00e1vel pelo trabalho dos judeus, e assim todos\u00a0foram para Bryszcze. A m\u00e3e e a tia de Miriam sa\u00edam cedo de manh\u00e3 e trabalhavam o dia todo no campo, mas n\u00e3o recebiam nem sal\u00e1rio e nem ra\u00e7\u00f5es. Elas n\u00e3o podiam comer as hortali\u00e7as que ajudavam a colher.<\/p>\n<p>Miriam, seu primo e seu irm\u00e3o tentavam ser \u00fateis aos vizinhos, para que eles lhes dessem um pouco de comida. O irm\u00e3o de Miriam come\u00e7ou a tomar conta da casa de uma senhora, e assim podia trazer um pouco mais de comida para a fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Em 22 de agosto de 1942, a m\u00e3e de Miriam ouviu dizer que todos os judeus do gueto de Luck tinham sido levados em caminh\u00f5es para uma \u00e1rea fora da cidade, e depois fuzilados e jogados numa vala. Sabendo que logo a SS viria procurar por judeus em Bryszcze, a m\u00e3e e a tia decidiram se esconder com as crian\u00e7as na floresta. A av\u00f3 decidiu ficar e o irm\u00e3o foi deixado na casa da senhora para quem trabalhava, a qual prometeu \u00e0 m\u00e3e que ele e os pertences deixados em sua casa estariam a salvo dos alem\u00e3es.<\/p>\n<p>Como era ver\u00e3o, logo encontraram um lugar para servir de esconderijo\u00a0na floresta. Nos pr\u00f3ximos dias, os nazistas chegaram na aldeia de Bryszcze e mataram todos os judeus que encontraram, inclusive a av\u00f3 de Miriam.<\/p>\n<p>Nas primeiras semanas no esconderijo na floresta, eles conseguiam sobreviver colhendo hortali\u00e7as e frutas dos campos e pomares que ficavam na aldeia pr\u00f3xima. As crian\u00e7as mais velhas \u2013 Miriam e um de seus primos \u2013 sa\u00edam da floresta \u00e0 noite e procuravam algo para comer e trazer para os outros. Mas quando chegou o outono, sobreviver tornou-se mais dif\u00edcil, e as crian\u00e7as come\u00e7aram a pedir comida de casa em casa. Um casal de judeus e seu filho tamb\u00e9m viviam com eles na floresta.<\/p>\n<p>Ao come\u00e7arem as chuvas de outono, eles cavaram um <em>bunker<\/em> na terra e camuflaram a entrada com galhos e folhas. Fazia muito frio e, quando chovia, a \u00e1gua escorria para dentro do <em>bunker<\/em>.<\/p>\n<p>Mas, em uma certa sexta-feira \u00e0 noite, ela e seu primo foram pedir comida na aldeia. Ela bateu na porta de uma pequena casa e uma jovem senhora veio atender. Ela n\u00e3o parecia irritada como os outros ucranianos; deu-lhes alguma comida para comer e tamb\u00e9m um pouco para levarem para a fam\u00edlia na floresta. Quando j\u00e1 estavam saindo, a mulher perguntou a Miriam se ela sabia trabalhar e cuidar de crian\u00e7a; ela disse que precisava costurar e n\u00e3o tinha tempo para fazer o trabalho da casa. Miriam poderia ficar na casa dela para trabalhar e trazer comida para sua fam\u00edlia na floresta.<\/p>\n<p>Isso era inacredit\u00e1vel! Ela voltou correndo para a floresta e contou para a m\u00e3e o que a mulher havia dito. Sua m\u00e3e ficou t\u00e3o feliz que at\u00e9 chorou, e lhe disse para ser obediente e \u00fatil. Sua m\u00e3e disse-lhe que, se um dia a guerra acabasse e ela sobrevivesse, ela deveria ir e contar para o resto da fam\u00edlia o que tinha acontecido a eles. \u201cN\u00e3o esque\u00e7a!\u201d, disse ela.<\/p>\n<p>Miriam voltou para a casa de Stefcia na mesma noite. Stefcia lhe mandou dormir em um pequeno quarto inacabado nos fundos da casa. No dia seguinte, lhe mandou tomar um banho e deu-lhe algumas de suas roupas velhas para usar. Assim, ela come\u00e7ou a tomar conta do beb\u00ea de Stefcia, de sua casa e de seus animais. Ela n\u00e3o sabia fazer nada disso, exceto cuidar do beb\u00ea. Stefcia a ensinava impacientemente, mas ela lhe obedecia. Stefcia tamb\u00e9m lhe dava comida para levar \u00e0 floresta.<\/p>\n<p>Essa situa\u00e7\u00e3o continuou por v\u00e1rios dias, at\u00e9 o final de outubro. Foi quando, num domingo \u00e0 tarde, quando ela j\u00e1 se aproximava do <em>bunker<\/em> levando um grande saco de comida, ela ouviu homens gritando. Chegando mais perto, conseguiu ver homens usando uniformes alem\u00e3es e da mil\u00edcia ucraniana, e ent\u00e3o ouviu os ru\u00eddos dos tiros. Caiu no ch\u00e3o e ouviu o som das balas que vinham em sua dire\u00e7\u00e3o; escondeu-se entre as folhas ao ouvir os passos dos homens vindo \u00e0 sua procura. Algum tempo depois foram embora e ela conseguiu\u00a0ir ao <em>bunker<\/em> para ver o que havia acontecido: sua m\u00e3e e os g\u00eameos, sua tia e os dois filhos, o casal e o filho deles \u2013 estavam todos mortos.<\/p>\n<p>Quando Miriam voltou para a casa de Stefcia, esta tentou confort\u00e1-la dizendo que eles n\u00e3o teriam chance de sobreviver com a chegada do inverno. Poucos dias depois ela foi visitar seu irm\u00e3o Moniek; os dois combinaram que n\u00e3o visitariam um ao outro at\u00e9 o final da guerra, e que seguiriam a recomenda\u00e7\u00e3o da m\u00e3e de obedecerem e serem \u00fateis aos seus protetores.<\/p>\n<p>Como o passar do tempo, Stefcia e ela come\u00e7aram a desenvolver alguma afei\u00e7\u00e3o. Ela tomava conta do beb\u00ea como se fosse um de seus irm\u00e3ozinhos. Stefcia lhe ensinava como se comportar como cat\u00f3lica, e dizia a todos que ela era uma sobrinha \u00f3rf\u00e3 que tinham vindo do outro lado do Rio Bug.<\/p>\n<p>O comandante da aldeia sabia que Stefcia estava escondendo uma menina judia em casa e disse a ela que, se algu\u00e9m a denunciasse a ele, ele seria obrigado a matar a menina. Mas um dia ele veio a cavalo e disse a Stefcia que os alem\u00e3es estavam vindo procurar judeus escondidos de casa em casa. Stefcia a escondeu num arm\u00e1rio velho e eles n\u00e3o a encontraram.<\/p>\n<p>Ela ia aprendendo a ser uma cat\u00f3lica. Como n\u00e3o lhe era permitido recitar as rezas judaicas que sua m\u00e3e lhe havia ensinado, ela derramava suas l\u00e1grimas diante de um crucifixo e fazia seus pedidos a Jesus, o que contribu\u00eda para alivi\u00e1-la em momentos de ang\u00fastia. Ela sentia falta de seu irm\u00e3o Moniek, mas Stefcia n\u00e3o a deixava ir v\u00ea-lo.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia do marido de Stefcia morava em uma outra aldeia, a alguns quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia. Tanto o marido de Stefcia quanto seu irm\u00e3o mais novo estavam combatendo no ex\u00e9rcito vermelho, e assim a outra nora e seus dois filhos moravam com os sogros. No ver\u00e3o de 1943, Stefcia decidiu mudar-se para a casa dos sogros, que n\u00e3o se importaram com o fato de que Miriam era uma crian\u00e7a judia.<\/p>\n<p>Em toda aquela regi\u00e3o, o exterm\u00ednio dos judeus parecia algo natural para os ucranianos; eles ocupavam suas casas e \u201cherdavam\u201d seus bens. Tudo parecia como se a vida judaica jamais tivesse existido na regi\u00e3o. E como os judeus n\u00e3o estavam mais por l\u00e1, os ucranianos dirigiam seu \u00f3dio e persegui\u00e7\u00f5es contra os poloneses, que tamb\u00e9m tinham perdido suas casas e fugido para outros lugares. Os ucranianos agiam incitados pelos alem\u00e3es, que lhes haviam prometido uma p\u00e1tria independente.<\/p>\n<p>No outono de 1943, surgiram rumores de que algo havia mudado na frente de batalha, pois os alem\u00e3es tinham parado de avan\u00e7ar. No inverno, quando a neve cobria toda a regi\u00e3o, um grupo de trabalhadores exaustos e famintos apareceu na aldeia, escoltados por policiais alem\u00e3es. Falavam uma l\u00edngua estranha e as pessoas diziam que eles eram judeus h\u00fangaros. Alguns deles vinham com frequ\u00eancia para perto da casa de Stefcia; eles olhavam para Miriam com l\u00e1grimas nos olhos e diziam \u201cKishlaim\u201d \u2013 \u201cmenina pequena\u201d, em h\u00fangaro. Parecia que eles sabiam que ela era judia. Certamente n\u00e3o tinham encontrado nenhuma outra crian\u00e7a judia nas aldeias de toda a Ucr\u00e2nia.<br \/>\nAlgum tempo depois, aqueles homens desapareceram. Os alde\u00f5es diziam que eles tinham sido fuzilados e enterrados em uma vala perto da floresta. Enquanto isso, ela ouvia que os russos estavam avan\u00e7ando e libertando as cidades ucranianas. As a\u00e7\u00f5es dos grupos partisanos foram muito importantes naquela \u00e9poca, pois eles conseguiam explodir pontes, linhas de trem e estradas, tornando assim mais dif\u00edcil a retirada dos alem\u00e3es.<\/p>\n<figure id=\"attachment_371\" aria-describedby=\"caption-attachment-371\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a title=\"Partisan Sabotaging Railway: Boris Jochai\" href=\"http:\/\/benabraham.org\/pt-br\/?p=465\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-371\" src=\"http:\/\/benabraham.org\/pt-br\/directory\/uploads\/2015\/04\/partisan.png\" alt=\"partisan\" width=\"400\" height=\"260\" srcset=\"http:\/\/benabraham.org\/en\/directory\/uploads\/2015\/04\/partisan.png 662w, http:\/\/benabraham.org\/en\/directory\/uploads\/2015\/04\/partisan-300x195.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-371\" class=\"wp-caption-text\">Partisano sabotando linha de trem &#8211; Boris Jochai. (Pintura a \u00f3leo).<\/figcaption><\/figure>\n<p>No final de Janeiro de 1944, a frente de batalha chegou a Luck e a cidade foi bombardeada. No meio do caos, entre v\u00e1rios alde\u00f5es escondidos num abrigo antia\u00e9reo, ela ouviu uma mulher se lamentando por ter vindo do Brasil, um pa\u00eds pac\u00edfico, para visitar a Pol\u00f4nia.<\/p>\n<p>Brasil? Ela se lembrava de sua m\u00e3e falando sobre uma das tias, tios e outros parentes que viviam naquele pa\u00eds. Tamb\u00e9m se lembrava das amigas da oficina de costura de Luck; elas tinham deixado a cidade para se mudarem para o Brasil. A fim de n\u00e3o esquecer o nome do lugar, ela o escreveu em um pedacinho de papel, o qual costurou na barra do casaco que usava.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Continuar lendo: <a href=\"http:\/\/benabraham.org\/pt-br\/?p=159\">A Liberta\u00e7\u00e3o<\/a><a title=\"Liberation\" href=\"http:\/\/benabraham.org\/pt-br\/esposa-miriam-necrycz\/miriam-necrycz-a-libertacao\/\">.<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No final do outono, chegaram rumores sobre como os judeus em outras cidades tinham recebido ordens para juntar seus pertences e deixar suas casas. Muitos deles simplesmente tinham sido reunidos na pra\u00e7a do mercado e executados pelos alem\u00e3es. Uma noite, Miriam e sua fam\u00edlia\u00a0acordaram com pessoas gritando e batendo na porta. 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