{"id":21,"date":"2015-03-29T00:33:21","date_gmt":"2015-03-29T00:33:21","guid":{"rendered":"http:\/\/benabraham.org\/en\/?page_id=21"},"modified":"2015-10-10T20:56:28","modified_gmt":"2015-10-10T20:56:28","slug":"imigracao-clandestina","status":"publish","type":"page","link":"http:\/\/benabraham.org\/pt-br\/imigracao-clandestina\/","title":{"rendered":"Imigra\u00e7\u00e3o a Israel"},"content":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s ser libertado por tropas americanas, Ben Abraham passou dois\u00a0anos recuperando-se em hospitais aliados na Alemanha. Quando a guerra acabou, ele pesava 28 quilos e sofria de tuberculose dupla, escorbuto e diarreia.<\/p>\n<figure id=\"attachment_475\" aria-describedby=\"caption-attachment-475\" style=\"width: 305px\" class=\"wp-caption alignright\"><a title=\"To Palestine\" href=\"http:\/\/benabraham.org\/pt-br\/?p=478\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-475\" src=\"http:\/\/benabraham.org\/pt-br\/directory\/uploads\/2015\/04\/To_Palestine_4f768965898ef-229x300.jpg\" alt=\"\" width=\"305\" height=\"400\" srcset=\"http:\/\/benabraham.org\/en\/directory\/uploads\/2015\/04\/To_Palestine_4f768965898ef-229x300.jpg 229w, http:\/\/benabraham.org\/en\/directory\/uploads\/2015\/04\/To_Palestine_4f768965898ef.jpg 610w\" sizes=\"auto, (max-width: 305px) 100vw, 305px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-475\" class=\"wp-caption-text\">Rumo a Eretz Israel . (Giz de cera).<\/figcaption><\/figure>\n<p>Durante a recupera\u00e7\u00e3o, teve contato com agentes judeus que, atuando na Alemanha, cadastravam os interessados em ir para a terra de Israel clandestinamente, j\u00e1 que a Gr\u00e3-Bretanha, que na \u00e9poca exercia o mandato pol\u00edtico sobre a Palestina, estava bloqueando a imigra\u00e7\u00e3o dos judeus. Gra\u00e7as a esses agentes, Ben Abraham foi informado do endere\u00e7o de sua tia paterna, que era casada e morava em Tel Aviv, tendo se mudado para l\u00e1 e antes da guerra. Ela se chamava Topka e tinha dois filhos pequenos.<\/p>\n<p>A viagem clandestina a Eretz Israel seria uma das maiores aventuras de sua vida. O \u201cnavio\u201d no qual ele embarcaria \u2013 na verdade tratava-se de um velho barco de pesca \u2013 partiria da costa francesa, mais precisamente da regi\u00e3o de Marselha. A viagem da Alemanha \u00e0 Fran\u00e7a teve que ser feita em vag\u00f5es de carga, num trem tamb\u00e9m muito velho, alocado pelos agentes judeus.<\/p>\n<p>Ele e as outras pessoas do grupo que havia sido selecionado para a viagem \u2013 127 pessoas \u2013 foram levados para uma ch\u00e1cara perto de Marselha, onde aguardariam o momento de embarcar. A espera durou duas semanas, ao fim das quais dois caminh\u00f5es &#8211; muito velhos &#8211; chegaram para apanh\u00e1-los e lev\u00e1-los para a praia. O trajeto, atrav\u00e9s de um bosque, foi feito durante a noite.<\/p>\n<p>Era 22 de novembro de 1947. Nessa noite, eles embarcaram no Marie Annik, um barco de pesca com capacidade para 50 pessoas que havia sido fabricado em 1927. Ao ver o \u201cnavio\u201d, Ben Abraham se perguntou como caberia tanta gente nele.<\/p>\n<p>No por\u00e3o do navio, havia beliches de 5 andares. Ben Abraham logo se instalou em um beliche que ficava mais perto da sa\u00edda do por\u00e3o, pois assim respiraria ar mais fresco. A alimenta\u00e7\u00e3o oferecida aos passageiros consistia de um p\u00e3o e duas sopas por dia, feitas com a \u00e1gua do mar. Como era tamb\u00e9m no mar que eram lan\u00e7ados os detritos do navio, algumas pessoas, principalmente as mulheres, n\u00e3o queriam tomar a sopa.<\/p>\n<p>Um dia ap\u00f3s partirem da Fran\u00e7a, o navio recebeu mais 50 refugiados judeus, vindos de Argel. Um outro navio aguardava o Marie Annik para embarc\u00e1-los em alto mar, e assim ele seguiria viagem com mais pessoas dormindo nos mesmos beliches.<\/p>\n<p>O Marie Annik foi rebatizado, e passou a se chamar <em>Haportzim<\/em>, em hebraico, que significa \u201cAqueles que ultrapassam o bloqueio\u201d. De fato, o bloqueio brit\u00e2nico representava uma amea\u00e7a constante para qualquer embarca\u00e7\u00e3o de refugiados que tentasse cruzar o Mediterr\u00e2neo. Os avi\u00f5es e navios que o patrulhavam constantemente o faziam justamente em busca de barcos como aquele. Assim, o navio foi pintado e repintado v\u00e1rias vezes pelos tripulantes durante a viagem, que durou cerca de duas semanas.<\/p>\n<p>Uma outra estrat\u00e9gia tamb\u00e9m foi utilizada para camuflar o navio, especialmente quando aparecia algum avi\u00e3o no horizonte: todos os passageiros desciam para o por\u00e3o, e os tripulantes jogavam dois ton\u00e9is de peixes velhos no conv\u00e9s, para dar a impress\u00e3o que se tratava de um inocente barco de pesca. Isso foi feito pelo menos tr\u00eas vezes durante a viagem.<\/p>\n<p>Ao fim de duas semanas, o <em>Haportzim<\/em> parou na costa da terra de Israel, em frente a Gaza, pois o motor do navio havia quebrado. De l\u00e1, o capit\u00e3o enviou uma mensagem codificada para a base em Tel Aviv, avisando que tinham conseguido reparar o motor e que j\u00e1 estavam a caminho. Chegaram a Tel Aviv, perto do Rio Yarkon, na manh\u00e3 de 4 de dezembro de 1947. Ali j\u00e1 havia barcos \u00e0 espera, que rapidamente transportaram os imigrantes \u00e0 terra. A praia estava cheia de judeus residentes em Tel Aviv, para dar cobertura aos rec\u00e9m chegados caso autoridades brit\u00e2nicas aparecessem.<\/p>\n<p>Assim que desembarcaram, os imigrantes foram levados para um conjunto de pr\u00e9dios que ficava perto da praia. O grupo que os recebeu batia na porta dos apartamentos e avisava para o morador &#8211; o qual na maioria dos casos havia acabado de acordar &#8211; que ele precisava dar abrigo tempor\u00e1rio para um punhado de refugiados. Meia hora depois, apareceu um fot\u00f3grafo na \u00e1rea, que passava de apartamento em apartamento para fotografar os rec\u00e9m-chegados. Quando o fot\u00f3grafo chegou ao apartamento onde estava Ben Abraham, colocou tr\u00eas poltronas uma ao lado da outra para que pudesse fotografar os 6 h\u00f3spedes de uma vez \u2013 3 sentados e 3 em p\u00e9. Cerca de uma hora depois, o fot\u00f3grafo voltou trazendo as carteiras de identidade que passariam a ser portadas pelos refugiados, com suas respectivas fotos &#8211; r\u00e9plicas perfeitas dos documentos oficiais emitidos pelos ingleses, com assinatura e tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">***<\/p>\n<p>Pouco ap\u00f3s sua chegada, Ben Abraham foi morar com sua tia paterna. Com a ajuda da institui\u00e7\u00e3o de imigra\u00e7\u00e3o, conseguiu seu primeiro emprego em Israel, como mec\u00e2nico na companhia de \u00f4nibus Dan, em Tel Aviv.<\/p>\n<p>Quando eclodiu a Guerra de Independ\u00eancia de Israel, em maio de 1948, Abraham presenciou o ataque a\u00e9reo eg\u00edpcio \u00e0 rodovi\u00e1ria de Tel Aviv, em que centenas de civis foram mortos. Ele estava dentro de sua oficina na rodovi\u00e1ria e por isso n\u00e3o foi atingido pelas bombas. Mas p\u00f4de ver quando uma delas atingiu um \u00f4nibus cheio de passageiros. Todos morreram.<\/p>\n<p>No dia seguinte, escapou da morte mais uma vez: um <em>Spitfire<\/em> eg\u00edpcio deu um voo rasante bem na rua em que ele estava passando a p\u00e9. Uma das balas rasgou a ombreira direita de seu palet\u00f3. E s\u00f3.<\/p>\n<p>Ele queria muito lutar na Guerra de Independ\u00eancia, mas devido \u00e0s suas condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade n\u00e3o foi admitido como soldado. Ent\u00e3o comprou um caminh\u00e3o da antiga reserva militar inglesa \u2013 segundo ele, muito velho \u2013 e trabalhou no ex\u00e9rcito israelense como motorista.<\/p>\n<p>Depois da guerra, foi trabalhar na pioneira companhia de \u00e1gua israelense, no processo de dessaliniza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua do mar. Ben Abraham contava que suas tr\u00eas m\u00e1quinas produziam apenas tr\u00eas baldes de \u00e1gua pot\u00e1vel por dia.<\/p>\n<p>Certa vez, quase morreu asfixiado numa usina de processamento de sal. Foi retirado do local \u00e0s pressas e socorrido imediatamente. Sobreviveu, mas decidiu mudar de emprego.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m trabalhou em prospec\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo em uma \u00e1rea pr\u00f3xima ao deserto do Negev, mas tudo o que ele e seus companheiros conseguiram encontrar foi \u00e1gua \u2013 bem precios\u00edssimo em Israel naqueles tempos.<\/p>\n<p>Em 1955, ficou sabendo que o Consulado Brasileiro em Israel tinha anunciado vagas para imigra\u00e7\u00e3o para o Brasil. Ele foi l\u00e1 se cadastrar, mas ficou um pouco desanimado quando viu o tamanho da fila de interessados. Quando, alguns dias depois, voltou ao consulado para buscar seus documentos, foi surpreendido com a not\u00edcia de que sua inscri\u00e7\u00e3o tinha sido aceita, e que ele poderia viajar e permanecer no Brasil com visto de imigrante. Depois de dois anos residindo aqui, teria a op\u00e7\u00e3o de se naturalizar brasileiro.<\/p>\n<p>Ao vir para o Brasil, Ben Abraham pensava apenas em conhecer o pa\u00eds e voltar. Mas quando chegou, foi recrutado por israelenses para ser colaborador do <em>Mossad<\/em> (servi\u00e7o secreto de Israel), o que continuou fazendo at\u00e9 meados da d\u00e9cada de 1990.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Continue lendo: <a href=\"http:\/\/benabraham.org\/pt-br\/vida-no-brasil\/\">Vida no Brasil.<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s ser libertado por tropas americanas, Ben Abraham passou dois\u00a0anos recuperando-se em hospitais aliados na Alemanha. 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