{"id":23,"date":"2015-03-29T00:35:32","date_gmt":"2015-03-29T00:35:32","guid":{"rendered":"http:\/\/benabraham.org\/en\/?page_id=23"},"modified":"2016-06-17T20:58:57","modified_gmt":"2016-06-17T20:58:57","slug":"vida-no-brasil","status":"publish","type":"page","link":"http:\/\/benabraham.org\/pt-br\/vida-no-brasil\/","title":{"rendered":"Vida no Brasil"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_76\" aria-describedby=\"caption-attachment-76\" style=\"width: 216px\" class=\"wp-caption alignright\"><a title=\"Wife \u2013 Miriam Necrycz\" href=\"http:\/\/benabraham.org\/pt-br\/?p=153\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-76 size-medium\" src=\"http:\/\/benabraham.org\/en\/directory\/uploads\/2015\/04\/Sobreviventes_Miriam-Nekricz-216x300.jpg\" alt=\"Sobreviventes_Miriam Nekricz\" width=\"216\" height=\"300\" srcset=\"http:\/\/benabraham.org\/en\/directory\/uploads\/2015\/04\/Sobreviventes_Miriam-Nekricz-216x300.jpg 216w, http:\/\/benabraham.org\/en\/directory\/uploads\/2015\/04\/Sobreviventes_Miriam-Nekricz-736x1024.jpg 736w, http:\/\/benabraham.org\/en\/directory\/uploads\/2015\/04\/Sobreviventes_Miriam-Nekricz.jpg 1400w\" sizes=\"auto, (max-width: 216px) 100vw, 216px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-76\" class=\"wp-caption-text\">Miriam Brik Nekrycz. (Pintura a \u00f3leo).<\/figcaption><\/figure>\n<p>Ben Abraham veio para o Brasil em 21 de Janeiro de 1955. Algum tempo depois de sua chegada ao Pa\u00eds, abriu com um amigo uma f\u00e1brica de poltronas no bairro do Br\u00e1s, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Em outubro, conheceu Miriam Dvora Brik, em um trem na cidade de S\u00e3o Paulo. Eles j\u00e1 haviam se visto antes. Miriam era uma sobrevivente vinda da Ucr\u00e2nia, que tinha vindo para o Brasil alguns anos antes e agora morava com seus parentes. Ela ficou impressionada em notar como \u201cChaim\u201d &#8211; assim ela o chamava \u2013 tinha vindo para o Brasil sozinho e praticamente sem nenhuma ajuda havia conseguido come\u00e7ar seu pr\u00f3prio neg\u00f3cio. Na \u00e9poca, ambos moravam no Bom Retiro, bairro tradicional da comunidade judaica em S\u00e3o Paulo. Eles ficaram noivos em 21 de janeiro de 1956 e casaram-se tr\u00eas meses depois.<\/p>\n<p>Em 1958, Ben Abraham naturalizou-se brasileiro.<\/p>\n<p>Quando nasceu o filho Jacques, Miriam decidiu deixar seu emprego como professora para cuidar do beb\u00ea, enquanto Ben Abraham trabalhava na f\u00e1brica de poltronas. O neg\u00f3cio prosperou e eles mudaram-se para uma casa maior. Alguns anos depois, nasceu a filha Edith.<\/p>\n<p>No in\u00edcio dos anos 1970, depois de seu filho Jacques completar 13 anos, eles viajaram para Israel a fim de celebrar seu Bar Mitzvah no Muro das Lamenta\u00e7\u00f5es, em Jerusal\u00e9m. Foi a primeira vez que o casal retornou a Israel depois de fixarem resid\u00eancia no Brasil, e nessa oportunidade estiveram com os parentes de Miriam que a haviam acolhido logo ap\u00f3s a guerra. Muitos membros da fam\u00edlia ortodoxa de Ben Abraham tamb\u00e9m estiveram presentes \u00e0 cerim\u00f4nia. Durante essa viagem, o casal visitou o Museu Yad Vashem em Jerusalem. Eles retornaram ao pa\u00eds muitas vezes depois para visitar o Muro das Lamenta\u00e7\u00f5es e o museu.<\/p>\n<p>Em 1972, Ben Abraham decidiu escrever um livro sobre sua experi\u00eancia como sobrevivente. A princ\u00edpio, sua esposa Miriam ficou preocupada, temendo que ele ficasse deprimido ao relembrar o passado, pois frequentemente tinha pesadelos nos quais clamava por seus entes queridos. No entanto, como ela escreveu em seu livro: \u201caconteceu algo surpreendente; \u00e0 medida que Chaim relatava o passado, mais se acalmava. [&#8230;] Relembrar e descrever as mem\u00f3rias teve um efeito ben\u00e9fico sobre ele, como se, por meio\u00a0de seus relatos, se libertasse daquele sofrimento\u201d. Foi quando seu primeiro livro \u2013 \u201c&#8230; e o mundo silenciou\u201d \u2013 foi publicado que ele adotou \u201cBen Abraham\u201d como pseud\u00f4nimo liter\u00e1rio.<\/p>\n<figure id=\"attachment_71\" aria-describedby=\"caption-attachment-71\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a title=\"\u2026 and the World Remained Silent\" href=\"http:\/\/benabraham.org\/pt-br\/?p=315\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-71\" src=\"http:\/\/benabraham.org\/pt-br\/directory\/uploads\/2015\/04\/Livro_e-o-mundo-silenciou-300x227.jpg\" alt=\"Livro_e o mundo silenciou\" width=\"350\" height=\"265\" srcset=\"http:\/\/benabraham.org\/en\/directory\/uploads\/2015\/04\/Livro_e-o-mundo-silenciou-300x227.jpg 300w, http:\/\/benabraham.org\/en\/directory\/uploads\/2015\/04\/Livro_e-o-mundo-silenciou.jpg 1015w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-71\" class=\"wp-caption-text\">Capa do livro &#8220;&#8230; e o mundo silenciou&#8221;. (Giz de cera).<\/figcaption><\/figure>\n<p>O livro obteve excelentes cr\u00edticas liter\u00e1rias. V\u00e1rias edi\u00e7\u00f5es do livro foram publicadas no mesmo ano, e tamb\u00e9m nos anos subsequentes. Enquanto a repercuss\u00e3o crescia, Ben Abraham tomou consci\u00eancia da import\u00e2ncia de dar o seu testemunho aos jovens, e assim tornou-se cada vez mais dedicado a faz\u00ea-lo em palestras e por meio dos artigos que conseguia publicar em jornais e revistas.<\/p>\n<p>Ben Abraham escreveu 15 livros, a maioria dos quais relacionados ao Holocausto e \u00e0 Segunda Guerra Mundial. Alguns de seus livros foram traduzidos para o ingl\u00eas e publicados nos Estados Unidos. A renda das publica\u00e7\u00f5es era investida em novas edi\u00e7\u00f5es, pois Ben Abraham mantinha seu princ\u00edpio de n\u00e3o ganhar dinheiro \u00e0s custas de milh\u00f5es de v\u00edtimas do nazismo.<\/p>\n<p>Ao longo dos anos, Ben Abraham tornou-se mais e mais envolvido com seu trabalho entre a comunidade Judaica. Mais tarde tornou-se presidente da <em>Sherit Hapleit\u00e1 Brasil<\/em> \u2013 a associa\u00e7\u00e3o dos sobreviventes do nazismo \u2013 onde trabalhou para promover eventos de educa\u00e7\u00e3o e lembran\u00e7a do Holocausto.<\/p>\n<p>No nordeste do Brasil, um grupo de pessoas fundou a \u201cFunda\u00e7\u00e3o Ben Abraham\u201d, entidade destinada a lutar contra os neonazistas que tentavam propagar suas ideias na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Algum tempo depois, o casal decidiu viajar para a Pol\u00f4nia para visitar a cidade natal de Ben Abraham, Lodz. Eles encontraram a casa onde ele vivera antes da guerra, e tamb\u00e9m o pequeno apartamento onde ele viveu com seus pais no gueto de Lodz mas, quando tentaram encontrar o t\u00famulo de seu pai, descobriram que o cemit\u00e9rio estava em ru\u00ednas, ent\u00e3o fixaram uma placa em sua mem\u00f3ria em um dos muros remanescentes do cemit\u00e9rio. Ao visitarem Zgierz, a cidade natal de seu av\u00f4, tamb\u00e9m tentaram encontrar o cemit\u00e9rio judaico, somente para descobrir que este tamb\u00e9m tinha sido vandalizado.<\/p>\n<p>Miriam e Ben Abraham tamb\u00e9m visitaram a cidade natal de Miriam, Luck, na Ucr\u00e2nia. Miriam n\u00e3o conseguiu\u00a0reconhecer boa parte da cidade, pois esta foi reconstru\u00edda depois da guerra. O cemit\u00e9rio judaico de Luck tamb\u00e9m tinha sido vandalizado.<\/p>\n<p>No entanto,\u00a0eles encontraram um monumento que havia sido erigido durante o governo de Gorbatchev em mem\u00f3ria \u00e0s v\u00edtimas do nazismo, constatando algo relevante: a placa maior em ucraniano diz que as v\u00edtimas eram cidad\u00e3os sovi\u00e9ticos; somente uma placa menor em i\u00eddiche mencionava as v\u00edtimas judias.<\/p>\n<p>Em 1978, Ben Abraham foi convidado pelo governo do estado de S\u00e3o Paulo a tornar-se membro do grupo de assessores da FEBEM (Funda\u00e7\u00e3o de Bem Estar do Menor), atual Funda\u00e7\u00e3o Casa.<\/p>\n<p>A partir de 1980 e nos anos seguintes, o casal come\u00e7ou a ser convidado por escolas, faculdades, igrejas e v\u00e1rias outras institui\u00e7\u00f5es para apresentar seu testemunho como sobreviventes do Holocausto, no Brasil e no exterior. O casal estima que tenham estado em mais de 5.000 escolas, desde ent\u00e3o.<\/p>\n<p>Tanto Miriam quanto Ben Abraham costumam dizer que nunca recusam um convite para falar sobre o que aconteceu com eles durante a guerra. Eles j\u00e1 viajaram para muitas cidades brasileiras em seu esfor\u00e7o para conscientizar as gera\u00e7\u00f5es de jovens brasileiros a respeito do Holocausto, para que este jamais se repita.<\/p>\n<p>Uma das observa\u00e7\u00f5es favoritas de Ben Abraham nessas ocasi\u00f5es \u00e9 mencionar que a Alemanha era uma democracia quando Hitler ascendeu ao poder, enfatizando a import\u00e2ncia da responsabilidade em elei\u00e7\u00f5es presidenciais.<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>O casal teve dois\u00a0filhos, Jacques e Edith, e quatro\u00a0netos. Jacques Nekrycz faleceu em 2000, em decorr\u00eancia de\u00a0um acidente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ben Abraham veio para o Brasil em 21 de Janeiro de 1955. 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