{"id":364,"date":"2015-04-05T01:55:47","date_gmt":"2015-04-05T01:55:47","guid":{"rendered":"http:\/\/benabraham.org\/en\/?page_id=364"},"modified":"2016-06-17T20:46:23","modified_gmt":"2016-06-17T20:46:23","slug":"refugiada-na-alemanha","status":"publish","type":"page","link":"http:\/\/benabraham.org\/pt-br\/miriam-nekrycz\/refugiada-na-alemanha\/","title":{"rendered":"Miriam Nekrycz &#8211; Refugiada na Alemanha"},"content":{"rendered":"<p>No inverno de 1945 para 1946, surgiu uma possibilidade para Miriam juntar-se a um grupo de crian\u00e7as e jovens que fariam a travessia para a Alemanha Ocidental. Como Berlim estava localizada no meio da zona russa, somente poderiam deixar o campo de Schlachtensee com autoriza\u00e7\u00e3o das autoridades norte-americanas. Rosa e Judith deram a ela todo o incentivo para partir, mas Miriam\u00a0ficou triste por novamente ter de se separar de pessoas t\u00e3o queridas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_505\" aria-describedby=\"caption-attachment-505\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/benabraham.org\/pt-br\/?p=506\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-505 size-medium\" src=\"http:\/\/benabraham.org\/en\/directory\/uploads\/2015\/04\/displaced-boy-300x233.jpg\" alt=\"displaced boy\" width=\"300\" height=\"233\" srcset=\"http:\/\/benabraham.org\/en\/directory\/uploads\/2015\/04\/displaced-boy-300x233.jpg 300w, http:\/\/benabraham.org\/en\/directory\/uploads\/2015\/04\/displaced-boy.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-505\" class=\"wp-caption-text\">Menino esperando para ir para campo de refugiados. (Pintura a \u00f3leo).<\/figcaption><\/figure>\n<p>Havia cerca de 30 crian\u00e7as \u00f3rf\u00e3s no grupo, al\u00e9m de um casal de sobreviventes da cidade de Lodz. Aquelas crian\u00e7as vinham de diferentes pa\u00edses europeus, mas eram unidas pelo tr\u00e1gico passado que tinham em comum. Muitas das crian\u00e7as tinham estado em campos de concentra\u00e7\u00e3o e ainda viviam como se tivessem de lutar por um peda\u00e7o de p\u00e3o para sobreviver; outras viviam assustadas e tristes, e sempre tinham medo de tudo. Cuidar daquelas crian\u00e7as n\u00e3o era tarefa f\u00e1cil, mas Helen e Rudolf Loeffel tinham amor, bondade e perseveran\u00e7a infinitos, e conseguiam proporcionar \u00e0s crian\u00e7as uma atmosfera familiar.<\/p>\n<p>Auxiliados pelas institui\u00e7\u00f5es judaicas em Berlim, o grupo conseguiu obter permiss\u00e3o para viajar de trem para Munique. Da esta\u00e7\u00e3o de trem, foram levados para um campo de refugiados em Aschau, uma cidade que n\u00e3o havia sido bombardeada durante a guerra e cujos habitantes alegavam jamais ter sabido nada a respeito de campos de concentra\u00e7\u00e3o e exterm\u00ednio, ou sobre o genoc\u00eddio de milh\u00f5es de judeus.<\/p>\n<p>O casal Loeffel era um grande exemplo de dignidade humana. Helen tinha estudado em Sorbonne; Rodolf tinha sido um advogado com \u00f3tima reputa\u00e7\u00e3o. Ambos fugiram de Lodz antes da ocupa\u00e7\u00e3o nazista e viviam separados na zona ariana de Vars\u00f3via. Helen falava polon\u00eas impecavelmente e tinha apar\u00eancia ariana, assim conseguiu um emprego como governanta e professora de franc\u00eas na casa de uma fam\u00edlia de poloneses ricos. O marido tamb\u00e9m conseguiu esconder-se, e mais tarde participou do levante de Vars\u00f3via contra os nazistas.\u00a0O casal conseguiu reunir-se depois da guerra e decidiu dedicar suas vidas a cuidar de crian\u00e7as \u00f3rf\u00e3s. Gastavam dias e noites consolando seus \u201cfilhos\u201d tristes e feridos, nos quais tentavam alimentar a esperan\u00e7a por um futuro melhor.<\/p>\n<p>Havia outros grupos de jovens vivendo no campo, a maioria dos quais era afiliada a partidos sionistas. Havia tamb\u00e9m um m\u00e9dico no campo, que vinha com frequ\u00eancia para cuidar da sa\u00fade deles. O m\u00e9dico gostava de falar sobre sionismo e pol\u00edtica do Oriente M\u00e9dio, discutindo a pol\u00edtica brit\u00e2nica e o interesse das pot\u00eancias mundiais pelo petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>Algum tempo depois que Miriam mudou-se para o campo, Babcia e a fam\u00edlia conseguiram chegar \u00e0 Alemanha Ocidental, e ficaram em um campo de refugiados em Salzheim, cidade pr\u00f3xima a Frankfurt. Ela foi visit\u00e1-los e descobriu que todos eles estavam t\u00e3o ansiosos para partir da Europa quanto Miriam.<\/p>\n<p>A comida era pouca no campo de refugiados de Aschau. Os jovens sempre estavam com fome, especialmente os rapazes. Era uma situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil de entender, considerando que o campo era mantido pela UNRRA. Mas um dia chegou uma comiss\u00e3o de norte-americanos, a qual descobriu que eles estavam sendo roubados, pois os suprimentos que o campo recebia em forma de donativos eram desviados e vendidos no mercado negro. Depois desse epis\u00f3dio, as refei\u00e7\u00f5es melhoraram. Enquanto isso, Miriam gostava de ajudar a limpar o quarto onde dormia e tamb\u00e9m costurar cortinas, colocando em pr\u00e1tica as habilidades que Stefcia lhe havia ensinado.<\/p>\n<p>Miriam havia feito um cadastro\u00a0em v\u00e1rios escrit\u00f3rios judaicos para que localizassem seus parentes em outros pa\u00edses. Havia um\u00a0ano que ela havia feito o cadastro pela primeira vez no escrit\u00f3rio de Lodz, mas n\u00e3o tinha recebido nenhuma resposta. Era assim bastante frustrante ver outras crian\u00e7as deixarem o campo para irem viver com suas fam\u00edlias, como, por exemplo, sua amiga Esther, que foi encontrada pelo pai e deixou o campo poucos dias depois.<\/p>\n<figure id=\"attachment_712\" aria-describedby=\"caption-attachment-712\" style=\"width: 350px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/benabraham.org\/pt-br\/?p=714\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-712\" src=\"http:\/\/benabraham.org\/pt-br\/directory\/uploads\/2015\/04\/reunification-300x200.jpg\" alt=\"reunification\" width=\"350\" height=\"233\" srcset=\"http:\/\/benabraham.org\/en\/directory\/uploads\/2015\/04\/reunification-300x200.jpg 300w, http:\/\/benabraham.org\/en\/directory\/uploads\/2015\/04\/reunification.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-712\" class=\"wp-caption-text\">A Alegria da Reunifica\u00e7\u00e3o. (Giz de cera).<\/figcaption><\/figure>\n<p>De qualquer maneira, Miriam estava absolutamente decidida a viver em Eretz Israel. O amor por aquela terra havia tomado conta de seu cora\u00e7\u00e3o, enquanto aprendia sobre os dois mil\u00a0anos de dispers\u00e3o de seu povo.<\/p>\n<p>Um dia, quando o campo estava preparando-se para receber duas visitas muito importantes \u2013 um poeta e uma cantora \u2013 algu\u00e9m a chamou dizendo que havia uma carta da Palestina para ela. Ela ficou t\u00e3o feliz por receber a carta que nem estava presente quando os visitantes chegaram, ficava lendo e relendo a carta v\u00e1rias vezes. Ela n\u00e3o estava mais sozinha! Agora tinha uma fam\u00edlia e eles estavam preocupados com ela; eles a amavam e queriam que ela fosse v\u00ea-los o mais depressa poss\u00edvel. Seus tios escreviam que outros membros da fam\u00edlia nos Estados Unidos e no Brasil j\u00e1 tinham sido informados que ela estava no campo, de modo que logo ela receberia not\u00edcias deles tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Jamais em sua vida havia estado t\u00e3o feliz. Poucos dias depois, chegou de Nova York uma carta de Tia Miriam, irm\u00e3 de seu pai. Ela queria que Miriam fosse morar com eles nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Tia Ana, irm\u00e3 de sua irm\u00e3, mandou uma carta do Brasil dizendo que estava pronta para vir at\u00e9 a Alemanha busc\u00e1-la. Mas Miriam respondeu que, embora fosse muito grata pelo convite, tinha a inten\u00e7\u00e3o de viver em Eretz Israel, explicando as raz\u00f5es pelas quais havia tomado a decis\u00e3o de viver em sua p\u00e1tria.<\/p>\n<p>A pr\u00f3xima coisa que Miriam fez foi viajar para o campo de Salzheim, onde Babcia estava vivendo com a fam\u00edlia. Eles lhe contaram que tamb\u00e9m tinham recebido uma carta de parentes vivendo na Argentina. Primeiramente tinham a inten\u00e7\u00e3o de ir para Eretz Israel, mas por causa do bloqueio brit\u00e2nico, o qual tornava a Ali\u00e1 quase imposs\u00edvel para uma senhora idosa como Babcia, eles decidiram ir para a Argentina.<\/p>\n<p>Judith tamb\u00e9m havia encontrado o irm\u00e3o, que tinha sido liberado do ex\u00e9rcito sovi\u00e9tico, e agora estava vivendo com ele em um campo de refugiados perto de Munich. Ali conheceu um rapaz de quem ficou noiva, e logo se casaram.<\/p>\n<p>Essa visita foi muito gratificante para Miriam. Ela ficou muito feliz de testemunhar a alegria e felicidade experimentados por seus queridos. Para sempre seria grata a Rosa e Judith, que haviam dado um novo significado \u00e0 sua vida: gra\u00e7as a elas tinha podido encontrar sua fam\u00edlia no al\u00e9m-mar.<\/p>\n<p>Nesse meio tempo, sua querida amiga Tereza adoeceu. Depois de meses de agonia, os m\u00e9dicos descobriram que ela tinha um tumor no c\u00e9rebro. Nas noites de vig\u00edlia no hospital ao lado da cama de sua amiga, Miriam chegou a pensar que, se tivesse oportunidade de ir para Eretz Israel e estudar, gostaria de tornar-se uma enfermeira para que pudesse cuidar dos doentes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Continuar lendo: <a href=\"http:\/\/benabraham.org\/pt-br\/?p=1185\">Deportada para Chipre<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No inverno de 1945 para 1946, surgiu uma possibilidade para Miriam juntar-se a um grupo de crian\u00e7as e jovens que fariam a travessia para a Alemanha Ocidental. Como Berlim estava localizada no meio da zona russa, somente poderiam deixar o campo de Schlachtensee com autoriza\u00e7\u00e3o das autoridades norte-americanas. 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