{"id":404,"date":"2015-04-06T02:29:31","date_gmt":"2015-04-06T02:29:31","guid":{"rendered":"http:\/\/benabraham.org\/en\/?page_id=404"},"modified":"2016-06-17T20:57:36","modified_gmt":"2016-06-17T20:57:36","slug":"finalmente-em-israel","status":"publish","type":"page","link":"http:\/\/benabraham.org\/pt-br\/miriam-nekrycz\/finalmente-em-israel\/","title":{"rendered":"Miriam Nekrycz &#8211; Finalmente em Israel"},"content":{"rendered":"<p>Novamente Miriam cantaria o <em>Hatikva<\/em> a bordo de um navio, mas dessa vez o hino seria cantado em triunfo. Poucos dias depois de sua chegada, seus tios paternos Mosh\u00e9 e Mordechai chegaram cedo de manh\u00e3 para busc\u00e1-la. Embora ela tivesse prometido a si pr\u00f3pria que somente teria sorrisos para eles, desabou em l\u00e1grimas.<\/p>\n<p>Como os dois tios eram solteiros e moravam sozinhos, Miriam foi morar com uma das primas de seu pai, Tia Mania, que a recebeu amorosamente. Agora ela se sentia em casa, em meio a uma fam\u00edlia grande e unidade, cujos membros faziam o melhor que podiam para ajudar uns aos outros e para passar algum tempo juntos, mesmo em ocasi\u00f5es simples.<\/p>\n<p>Seus tios vinham com frequ\u00eancia peg\u00e1-la para lev\u00e1-la para passear em Tel Aviv, onde ela p\u00f4de ver a prosperidade e a modernidade que n\u00e3o havia visto na Europa. Eles tamb\u00e9m a levaram para conhecer seus parentes que viviam no <em>Kibutz Ein Hashofet<\/em>, que havia sido fundado nos anos 1930 nas \u00e1ridas montanhas de Efraim por grupos de judeus dos Estados Unidos e da Europa Oriental.<\/p>\n<p>A visita ao kibutz deixou impress\u00f5es muito boas sobre Miriam. Seus priminhos dormiam em quartos coletivos bastante simples, sob o cuidado de monitores. A educa\u00e7\u00e3o deles enfatizava a vida no campo e, desde pequenos, eles\u00a0podiam reconhecer cada flor pelo nome. Os campos eram verdejantes, os pomares estavam carregados de frutas, os est\u00e1bulos eram limpos e aparelhados com equipamentos modernos. Os adultos trabalhavam no campo durante o dia e, \u00e0 tardinha, brincavam com as crian\u00e7as na grama, no centro do <em>kibutz<\/em>. As reuni\u00f5es administrativas aconteciam periodicamente e tinham a participa\u00e7\u00e3o de todos os membros adultos.<\/p>\n<p>De volta a Tel Aviv, enquanto Miriam esfor\u00e7ava-se para acompanhar seus novos colegas de classe, a UNESCOP recomendou o t\u00e9rmino do mandato brit\u00e2nico sobre a Palestina. Miriam e seus parentes ouviram pelo r\u00e1dio a vota\u00e7\u00e3o da Resolu\u00e7\u00e3o de Partilha na ONU, em 29 de novembro. Cada voto a favor provocava explos\u00f5es de alegria nas ruas. Quando o n\u00famero dos votos favor\u00e1veis ultrapassou dois ter\u00e7os, a alegria das pessoas era indescrit\u00edvel. As pessoas cantavam e dan\u00e7avam nas ruas.<\/p>\n<p>Mas as comemora\u00e7\u00f5es n\u00e3o duraram muito, pois os \u00e1rabes n\u00e3o aceitaram o Plano de Partilha. A manh\u00e3 seguinte trouxe os primeiros tiros e as primeiras v\u00edtimas. Come\u00e7aram os inc\u00eandios e saques em Jerusal\u00e9m e outras cidades. Miriam ficou perplexa com a onda de terror que tinha eclodido contra a popula\u00e7\u00e3o judaica de 650 mil pessoas, a qual n\u00e3o estava preparada para uma guerra. Os \u00e1rabes atacavam os comboios de suprimentos que iam para Jerusal\u00e9m. Atacavam tamb\u00e9m os <em>kibutzim<\/em> isolados e as ruas de Tel Aviv que ficavam pr\u00f3ximas ao bairro \u00e1rabe Jaffo. Tanques \u00e1rabes vinham contra as col\u00f4nias agr\u00edcolas no Negev e na Galileia. Contudo,\u00a0os brit\u00e2nicos, que ainda n\u00e3o haviam terminado seu mandato, continuavam a prender os combatentes da Hagan\u00e1 e a confiscar suas armas, enquanto diariamente os \u00e1rabes cruzavam as fronteiras trazendo armas consigo.<\/p>\n<figure id=\"attachment_369\" aria-describedby=\"caption-attachment-369\" style=\"width: 276px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/benabraham.org\/pt-br\/?p=720\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-369\" src=\"http:\/\/benabraham.org\/pt-br\/directory\/uploads\/2015\/04\/haganah.png\" alt=\"haganah\" width=\"276\" height=\"400\" srcset=\"http:\/\/benabraham.org\/en\/directory\/uploads\/2015\/04\/haganah.png 420w, http:\/\/benabraham.org\/en\/directory\/uploads\/2015\/04\/haganah-207x300.png 207w\" sizes=\"auto, (max-width: 276px) 100vw, 276px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-369\" class=\"wp-caption-text\">Soldado da Hagan\u00e1 com tatuagem de Auschwitz. (Pintura a \u00f3leo).<\/figcaption><\/figure>\n<p>Como o fim do mandato brit\u00e2nico aproximava-se, os <em>maapilim<\/em> aprisionados em Chipre come\u00e7aram a ser libertados. Miriam finalmente p\u00f4de rever seus amigos do campo de Chipre e tamb\u00e9m reencontrar Judith, que tinha vindo de l\u00e1 com seu marido e o bebezinho do casal, nascido no campo. Durante a guerra, Miriam participou de v\u00e1rias campanhas para angariar roupas, cobertores e utens\u00edlios para os novos imigrantes, pois era inverno. Na escola, ela e suas colegas tinham permiss\u00e3o para tricotar agasalhos para os combatentes da Hagan\u00e1 durante algumas das aulas.<\/p>\n<p>A guerra intensificava-se enquanto os brit\u00e2nicos se preparavam para partir. Jerusal\u00e9m foi cercada e bombardeada; o Hospital Hadassa e a Universidade Hebraica ficaram isolados no Monte Scopus. Um dia antes da Proclama\u00e7\u00e3o da Independ\u00eancia, as quatro col\u00f4nias de Gush Etzion nas montanhas da Judeia foram atacadas e conquistadas pela Legi\u00e3o \u00c1rabe, que tinha sido treinada e abastecida pelos brit\u00e2nicos.<\/p>\n<p>Na tarde de 14 de maio de 1948, Miriam ouviu pelo r\u00e1dio as vigorosas palavras pronunciadas por David Ben Gurion. Na manh\u00e3 seguinte, Harry Truman foi o primeiro dignat\u00e1rio a reconhecer o Estado de Israel, mas os \u00e1rabes invadiram o territ\u00f3rio israelense em todas as frentes. Os tanques eg\u00edpcios avan\u00e7avam pelo sul, rumo a Tel Aviv. Os s\u00edrios e libaneses atacavam o norte. Os iraquianos e a Legi\u00e3o \u00c1rabe atacavam o centro do pa\u00eds, enquanto a for\u00e7a a\u00e9rea eg\u00edpcia bombardeava as \u00e1reas residenciais.<\/p>\n<p>No entanto, a resist\u00eancia ao inimigo foi forte e decisiva. Enquanto os combatentes nos <em>kibutzim<\/em> do Negev repeliam os eg\u00edpcios, os colonos do norte lutavam contra os s\u00edrios. A cidade antiga de Jerusal\u00e9m, entretanto, caiu nas m\u00e3os dos \u00e1rabes, ap\u00f3s meses de cerco e priva\u00e7\u00f5es. Os defensores da cidade foram presos; as mulheres e crian\u00e7as foram enviadas \u00e0 parte moderna da cidade. Foram dias de ang\u00fastia tamb\u00e9m em Tel Aviv, onde Miriam ouviu de seu quintal o barulho das bombas que os eg\u00edpcios lan\u00e7aram na esta\u00e7\u00e3o rodovi\u00e1ria central, provocando dezenas de mortes civis.<\/p>\n<figure id=\"attachment_376\" aria-describedby=\"caption-attachment-376\" style=\"width: 281px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/benabraham.org\/pt-br\/?p=725\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-376\" src=\"http:\/\/benabraham.org\/pt-br\/directory\/uploads\/2015\/04\/going-home-211x300.png\" alt=\"going home\" width=\"281\" height=\"400\" srcset=\"http:\/\/benabraham.org\/en\/directory\/uploads\/2015\/04\/going-home-211x300.png 211w, http:\/\/benabraham.org\/en\/directory\/uploads\/2015\/04\/going-home.png 434w\" sizes=\"auto, (max-width: 281px) 100vw, 281px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-376\" class=\"wp-caption-text\">Imigrantes do campo de concentra\u00e7\u00e3o de Buchenwald, 1945. (Pintura a \u00f3leo).<\/figcaption><\/figure>\n<p>Durante a primeira tr\u00e9gua, o pa\u00eds recebeu armas, muni\u00e7\u00e3o e novos imigrantes, muitos dos quais se alistaram no novo ex\u00e9rcito assim que chegaram. Os \u00e1rabes atacaram novamente antes do fim da tr\u00e9gua, mas agora Israel estava mais bem preparado, com o aumento do n\u00famero de combatentes, armas e com a aquisi\u00e7\u00e3o de avi\u00f5es da Tchecoslov\u00e1quia. Os brit\u00e2nicos tiveram que solicitar um novo cessar-fogo para impedir a derrota do povo \u00e1rabe, ainda que\u00a0estes\u00a0tamb\u00e9m tivessem melhorado suas condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Quando parecia que o armist\u00edcio parecia definido, Chaim Weizmann foi designado primeiro Presidente. A recep\u00e7\u00e3o euf\u00f3rica por parte da popula\u00e7\u00e3o israelense somente foi equiparada por seu entusiasmo durante o primeiro Yom Haatzmaut (Dia da Independ\u00eancia), quando os acordos em separado tinham sido assinados entre Israel e os outros seis pa\u00edses beligerantes.<\/p>\n<p>Durante os meses seguintes, Miriam conseguiu tirar notas boas na escola. Como a guerra tinha terminado oficialmente, mas o estado de guerra continuava a se fazer sentir, ela n\u00e3o queria ser um fardo para a fam\u00edlia durante aqueles meses de priva\u00e7\u00e3o. Decidiu tornar-se uma enfermeira, e assim prestou os exames e foi admitida na escola do Hospital Beilinson em Tel Aviv, onde estudou e trabalhou como enfermeira.<\/p>\n<p>O Hospital Beilinson era o mais importante de Israel naquela \u00e9poca, pois o Hospital Hadassa tinha sido evacuado e o acesso a ele estava bloqueado pela Legi\u00e3o Jordaniana. O hospital estava sempre lotado, devido \u00e0 sua import\u00e2ncia e \u00e0 constante chegada de novos imigrantes, os quais faziam com que seus corredores soassem como a torre de Babel.<\/p>\n<p>Nos meses que se seguiram, os judeus dos pa\u00edses \u00e1rabes come\u00e7aram a chegar. Tiveram de deixar seus lares e seus bens \u00e0s pressas e tinham muita dificuldade em se adaptar \u00e0 nova vida em Israel. Era comum para Miriam atender pacientes de origens diferentes no mesmo quarto: europeus, africanos, asi\u00e1ticos, norte-americanos. Mesmo falando l\u00ednguas diferentes, eram todos judeus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Continuar lendo: <a title=\"Miriam Necrycz &gt; Brazil\" href=\"http:\/\/benabraham.org\/pt-br\/miriam-necrycz\/miriam-necrycz-brasil\/\">Brasil<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Novamente Miriam cantaria o Hatikva a bordo de um navio, mas dessa vez o hino seria cantado em triunfo. 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