{"id":37,"date":"2015-03-29T00:45:08","date_gmt":"2015-03-29T00:45:08","guid":{"rendered":"http:\/\/benabraham.org\/en\/?page_id=37"},"modified":"2015-08-29T22:24:33","modified_gmt":"2015-08-29T22:24:33","slug":"o-caso-mengele","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/benabraham.org\/pt-br\/o-caso-mengele\/","title":{"rendered":"O Caso Mengele"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_334\" aria-describedby=\"caption-attachment-334\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/benabraham.org\/pt-br\/directory\/uploads\/2015\/03\/Mengele-The-Truth-Exposed.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-334\" src=\"http:\/\/benabraham.org\/pt-br\/directory\/uploads\/2015\/03\/Mengele-The-Truth-Exposed-232x300.jpg\" alt=\"Mengele - The Truth Exposed\" width=\"300\" height=\"388\" srcset=\"https:\/\/benabraham.org\/en\/directory\/uploads\/2015\/03\/Mengele-The-Truth-Exposed-232x300.jpg 232w, https:\/\/benabraham.org\/en\/directory\/uploads\/2015\/03\/Mengele-The-Truth-Exposed.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-334\" class=\"wp-caption-text\">Capa do Livro &#8220;Mengele &#8211; A Verdade Veio \u00e0 Tona&#8221; em ingl\u00eas.<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em junho de 1985 a Pol\u00edcia Federal, agindo com base em informa\u00e7\u00f5es recebidas das autoridades alem\u00e3s, anunciou a descoberta do corpo de Josef Mengele, o qual teria morrido afogado em uma praia em Bertioga, litoral do estado de S\u00e3o Paulo, em 1979. Enquanto as investiga\u00e7\u00f5es prosseguiam, Ben Abraham come\u00e7ou a desafiar as \u201cevid\u00eancias\u201d apresentadas pelo grupo de cientistas forenses em sua tentativa de provar que o corpo encontrado era mesmo o de Mengele.<\/p>\n<p>Ben Abraham atuou exaustivamente para chamar a aten\u00e7\u00e3o das autoridades no Brasil, em Israel, Alemanha e Estados Unidos para as discrep\u00e2ncias entre as caracter\u00edsticas do corpo exumado e as informa\u00e7\u00f5es oficiais sobre o verdadeiro Mengele, coletadas dos arquivos da SS, do governo paraguaio e de outras fontes. A maior parte das informa\u00e7\u00f5es que ele apresentava haviam sido cedidas a ele por seu amigo Menachem Russek, ex-Diretor de Investiga\u00e7\u00f5es dos Crimes Nazistas em Israel. Ben Abraham afirma que, ap\u00f3s cuidadosa investiga\u00e7\u00e3o, Russek recusou-se a confirmar a autenticidade do corpo encontrado no Brasil, mas ordens superiores acabaram fazendo com que ele fosse afastado do caso.<\/p>\n<p>Como Russek n\u00e3o podia agir em seu pr\u00f3prio nome, decidiu dar a Ben Abraham todos os documentos em seu poder, o qual os publicou em seu livro \u201cMengele \u2013 A Verdade Veio \u00e0 Tona\u201d.<\/p>\n<p>Como escreveu em seu livro \u201cMengele \u2013 A Verdade Veio \u00e0 Tona\u201d, as principais quest\u00f5es que ele afirma permaneceram sem reposta por parte das autoridades brasileiras s\u00e3o as seguintes:<\/p>\n<ol>\n<li>As impress\u00f5es digitais, arcada dent\u00e1ria e a caligrafia do homem cujo corpo foi encontrado no cemit\u00e9rio do Embu s\u00e3o diferentes daquelas do verdadeiro Mengele.<\/li>\n<li>O cr\u00e2nio exumado era 6,5 cent\u00edmetros maior do que o cr\u00e2nio de Mengele.<\/li>\n<li>A altura do esqueleto exumado era maior do que a altura de Mengele, obtida em 1938.<\/li>\n<li>Uma das restaura\u00e7\u00f5es em um dos dentes de Mengele n\u00e3o foi encontrada no mesmo dente do corpo exumado.<\/li>\n<li>A Dra. Maria Helena Bueno de Castro, dentista que se apresentou \u00e0 pol\u00edcia brasileira, declarou que havia atendido o verdadeiro Mengele dois meses ap\u00f3s sua suposta morte. Por\u00e9m, foi declarada insana pela pol\u00edcia e seu depoimento foi invalidado.<\/li>\n<li>A pol\u00edcia brasileira n\u00e3o permitiu que o Dr. Menachem Russek se encontrasse com a Dra. Maria Helena Bueno de Castro.<\/li>\n<li>De acordo com a Dra. Maria Helena Bueno de Castro, as autoridades brasileiras recusaram-se a chamar outras testemunhas que tamb\u00e9m haviam visto Mengele no consult\u00f3rio dela dois meses depois de sua suposta morte. Essas testemunhas foram assassinadas misteriosamente mais tarde, sem nunca terem prestado depoimento. Segundo a dentista, suas mortes n\u00e3o foram investigadas pela pol\u00edcia.<\/li>\n<li>O prontu\u00e1rio odontol\u00f3gico do paciente da Dra. Maria Helena coincidia perfeitamente com o prontu\u00e1rio odontol\u00f3gico de Mengele na SS, por\u00e9m, n\u00e3o coincidiam com o do esqueleto exumado pela pol\u00edcia.<\/li>\n<li>O homem que assumiu a identidade de Mengele havia supostamente sido atendido por outro dentista, o Dr. Kasumasa Tutiya. De acordo com o Dr. Menachem Russek, a agenda desse dentista havia sido grosseiramente adulterada de modo que as datas das supostas consultas coincidissem com as datas registradas no di\u00e1rio de Mengele. Al\u00e9m disso, embora as datas coincidissem, os hor\u00e1rios n\u00e3o coincidiam.<\/li>\n<li>As radiografias entregues pelo Dr. Tutiya \u00e0 pol\u00edcia foram inclusas nos arquivos oficiais da investiga\u00e7\u00e3o, apesar das discrep\u00e2ncias com a arcada dent\u00e1ria do verdadeiro Mengele. Omitiu-se, no entanto, o prontu\u00e1rio odontol\u00f3gico de Mengele na SS.<\/li>\n<li>O suposto afogamento teria ocorrido em 7 de fevereiro de 1979. Contudo, a nora de Josef Mengele (esposa de seu filho Rolf) havia enviado a Josef Mengele uma carta em 9 de mar\u00e7o de 1979, parabenizando-o por seu anivers\u00e1rio.<\/li>\n<li>Em mar\u00e7o de 1985, ou seja, tr\u00eas meses antes da descoberta do corpo no cemit\u00e9rio do Embu, as radiografias de Mengele foram roubadas do Centro de Documenta\u00e7\u00e3o de Berlim.<\/li>\n<\/ol>\n<p>A atua\u00e7\u00e3o de Ben Abraham para provar que os relat\u00f3rios oficiais estavam errados teve ampla repercuss\u00e3o no Brasil e no exterior. Como resultado, os governos de Israel e da Alemanha n\u00e3o fecharam o caso por sete\u00a0anos, assim como o Museu Yad Vashem.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s autoridades israelenses, Ben Abraham teve uma reuni\u00e3o com o ent\u00e3o primeiro-ministro Yitzchak Shamir no in\u00edcio de 1987, e disse a ele que estava se preparando para dar uma entrevista ao jornal ingl\u00eas Daily Express revelando toda a informa\u00e7\u00e3o que possu\u00eda sobre o caso Mengele. Shamir pediu a ele que esperasse por um m\u00eas, assim Ben Abraham cancelou a entrevista j\u00e1 agendada em Londres e aguardou o prazo combinado. Passados os 30 dias, o c\u00f4nsul israelense em S\u00e3o Paulo, Sr. Tzvi Caspi, informou a Ben Abraham que Shamir havia anunciado oficialmente na televis\u00e3o israelense que Israel havia reaberto o caso por terem tido acesso a provas demonstrando que o corpo encontrado no Brasil n\u00e3o era o de Mengele.<\/p>\n<p>Durante a mesma viagem a Israel em que se reuniu com Shamir, Ben Abraham apresentou uma c\u00f3pia de seu material aos arquivos do museu Yad Vashem. O diretor dos arquivos, Dr. Shmuel Krakowski, enviou uma carta ao presidente da Sherit Hapleita do Brazil, Sr. Manfred Freifeld, confirmando que havia recebido os documentos e declarando que \u201cOs documentos fortalecem nossa cren\u00e7a de que o corpo exumado no Brasil de fato n\u00e3o \u00e9 o de Mengele. Portanto, n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para encerrar a investiga\u00e7\u00e3o acerca de seu paradeiro.\u201d<\/p>\n<p>Ben Abraham tamb\u00e9m agendou uma reuni\u00e3o entre a dentista Dra. Maria Helena Bueno de Castro e o parlamentar israelense Dov Schilanski, ent\u00e3o presidente da Comiss\u00e3o Nacional de Assuntos Internos. Schilanki ficou convencido de que o depoimento dela era verdadeiro e de que seu prontu\u00e1rio era aut\u00eantico. Al\u00e9m de declara\u00e7\u00f5es a jornais sobre o caso, ele tamb\u00e9m enviou a Yitzchak Shamir uma carta exigindo uma declara\u00e7\u00e3o oficial do governo israelense negando a autenticidade do corpo.<\/p>\n<p>Durante sua perman\u00eancia no Brasil, Dov Schilanski deu a Ben Abraham uma c\u00f3pia da mo\u00e7\u00e3o que ele havia apresentado ao primeiro-ministro israelense, perguntando a ele por que a embaixada israelense no Brasil n\u00e3o havia refutado as informa\u00e7\u00f5es incorretas apresentadas ao p\u00fablico pela pol\u00edcia brasileira acerca do posicionamento israelense diante do caso. Um dos integrantes do grupo policial respons\u00e1vel pela exuma\u00e7\u00e3o do corpo havia declarado \u00e0 imprensa brasileira que o patologista israelense Dr. Maurice Rogev confirmara\u00a0a precis\u00e3o da investiga\u00e7\u00e3o em andamento, informa\u00e7\u00e3o que foi publicada por jornais brasileiros. Schilanski exigiu em sua mo\u00e7\u00e3o que tais informa\u00e7\u00f5es fossem negadas oficialmente pelo governo israelense, pois Rogev sempre havia declarado que a informa\u00e7\u00e3o apresentada pela pol\u00edcia brasileira ainda precisava ser esclarecida. Ben Abraham escreveu uma mat\u00e9ria sobre o assunto, a qual foi publicada pela revista <em>Resenha Judaica<\/em>, em mar\u00e7o de 1988.<\/p>\n<p>Ben Abraham tamb\u00e9m conseguiu contato com autoridades alem\u00e3s incumbidas do caso, com o aux\u00edlio da associa\u00e7\u00e3o <em>B\u2019nai B\u2019rith<\/em>, em 1987. Ele afirma que sua atua\u00e7\u00e3o fez com que a Alemanha n\u00e3o encerrasse o caso naquela \u00e9poca, comunicando em declara\u00e7\u00e3o oficial que materiam o caso aberto por pelo menos mais um\u00a0ano para mais investiga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A fundadora da Associa\u00e7\u00e3o CANDLES (<em>Sobreviventes das Experi\u00eancias Nazistas Mortais de Laborat\u00f3rio Com Crian\u00e7as em Auschwitz<\/em>), Sra. Eva Kor, ajudou a divulgar o relat\u00f3rio do Dr. Menachem Russek internacionalmente, em um esfor\u00e7o conjunto com Ben Abraham. Em 1989, ela liderou uma conven\u00e7\u00e3o internacional com os membros da associa\u00e7\u00e3o em Jerusal\u00e9m. Como Ben Abraham n\u00e3o p\u00f4de comparecer devido a restri\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas, Eva distribuiu aos jornalistas presentes uma carta aberta de Ben Abraham, a qual mencionava as informa\u00e7\u00f5es constantes de seu livro.<\/p>\n<p>A opini\u00e3o de Simon Wiesenthal tamb\u00e9m foi influenciada pelo livro de Ben Abraham. No Boletim de Informa\u00e7\u00f5es n\u00ba\u00a029, publicado em Viena, \u00c1ustria, em 31 de janeiro de 1989, Wiesenthal declara que no ano anterior havia recebido \u201cinforma\u00e7\u00f5es que suscitavam s\u00e9rias d\u00favidas\u201d sobre o caso. Ele mencionou tamb\u00e9m os detalhes listados no livro de Ben Abraham: as poss\u00edveis causas de um orif\u00edcio no cr\u00e2nio; o comprimento do esqueleto; o depoimento da Dra. Maria Helena Bueno de Castro sobre ter atendido Mengele ap\u00f3s sua suposta morte. Ao final, o boletim menciona as recusas de Menachem Russek e do promotor p\u00fablico alem\u00e3o Hans-Eberhard Klein em declarar Mengele como morto, na \u00e9poca.<\/p>\n<p>Em 1992, um teste de DNA confirmou que a amostra analisada continha o mesmo material gen\u00e9tico que uma amostra de sangue do filho de Mengele, Ralf. Entretanto, Ben Abraham n\u00e3o ficou convencido de que a amostra examinada era genu\u00edna. Ele alega que os ossos enviados \u00e0 Universidade de Oxford para serem examinadas poderiam ter sido retiradas dos ossos dos parentes de Mengele sepultados na Alemanha, as quais poderiam ter sido facilmente roubadas.<\/p>\n<p>Ben Abraham alega que Mengele foi protegido pela CIA at\u00e9 1992, quando de fato morreu, porque havia fornecido \u00e0 intelig\u00eancia norte-americana informa\u00e7\u00f5es sobre suas experi\u00eancias com seres humanos durante o Holocausto, bem como informa\u00e7\u00f5es de cunho militar.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, Ben Abraham afirma que foi somente em 1992 que Rolf Mengele finalmente concordou em permitir que fosse coletada uma amostra de seu sangue para o exame de DNA porque nessa \u00e9poca seu pai j\u00e1 estava morto, o que ainda n\u00e3o era verdade em 1985.<\/p>\n<p>Ao final de seu livro, Ben Abraham acusa Alemanha, Estados Unidos, Israel e Brasil de coniv\u00eancia com o plano de n\u00e3o revelar a verdade sobre o caso Mengele. Os quatro pa\u00edses aceitaram os resultados do teste de DNA como prova aut\u00eantica da identidade do corpo encontrado no Brasil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em junho de 1985 a Pol\u00edcia Federal, agindo com base em informa\u00e7\u00f5es recebidas das autoridades alem\u00e3s, anunciou a descoberta do corpo de Josef Mengele, o qual teria morrido afogado em uma praia em Bertioga, litoral do estado de S\u00e3o Paulo, em 1979. 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